Resenha : Koch. Ingedore: O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 2005 os. 75 a 158
O
livro aborda, no geral, o processo de construção do texto, tanto no
perímetro da fala quanto no da escrita. Vamos nos ater à segunda parte
do livro, que dá ênfase à construção do texto no âmbito da fala,
mostrando que não há uma relação dicotômica entre língua e fala e que,
tanto a fala quanto a língua, possuem caraterísticas próprias de suas
modalidades. No uso da língua, essas características diferentes são
resultantes das praticas sociais. Além disso, o livro mostra que avaliar
a fala pelos parâmetros das gramática normativa, como é feito, gera
preconceitos não justificáveis, pois a criação e execução emergem de
circunstâncias e necessidades diferentes.
Assim como o texto
escrito tem uma regularidade, a autora destaca uma regularidade também
na fala, para comprovar a existência de um sistema de desempenho
linguístico. Devido à complexidade da fala, a mesma exige diferentes
competências linguísticas, devido a sua construção emergir na
interlocução e, como principal estratégia de construção do texto falado,
está a inserção e reformulação ou retórica ou saneadora.
A
reformulação retórica tem como função o reforço da argumentação através
do parafraseamento e da repetição, caso seja necessário para facilitar a
compreensão e também tem como característica a desaceleração do ritmo
da fala para facilitar o entendimento, já a reformulação saneadora tem
como objeto sanar, como o próprio nome diz, alguma má interpretação ou
ausência de compreensão do receptor, pode apresentar-se na forma de
retificação, por exemplo, entre outras opções similares.
A
rematização e tematização têm um papel importante no âmbito do texto
segmentado no âmbito da fala, pois influenciam diretamente a coerência
do texto, através da rematização e tematização nos trechos segmentados
do texto falado é possível destacar um elemento, de acordo com a posição
do mesmo, possibilitando assim constituir características próprias no
discurso. Quanto à repetição classificada na escrita como redundante,
para a autora, é um das características fundamentais para a afirmação e
entendimento do enunciado falado pelos interlocutores.
Por
último, a autora ressalta os papeis da digressão e da coerência na
construção do diálogo. A digressão tem como uma de suas características a
ruptura momentânea da produção textual e a retomada do tópico
interrompido. Diferentemente do que se acredita, isso não torna o texto
incoerente, mas sim acaba por desempenhar importante papel na construção
da coerência durante a produção do texto falado.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Atividades Práticas Supervisionadas
Tema: Uma ponte entre as teorias da Linguística Textual e a sala de aula.
Resenha do Livro: KLEIMAN, A. Oficina de leitura – teoria e prática. 12ed. Campinas, SP, Pontes, 2008. Páginas 9-30.
O livro abre uma discussão com relação à forma como a leitura é apresentada em sala de aula. A autora faz uma crítica aos métodos utilizados pelos professores e livros didáticos ao usar textos para o ensino de gramática sem refletir sobre a intenção do autor e a escolha das palavras naquela situação, sem levar em conta os diversos estágios de desenvolvimento dos alunos e seu conhecimento sociocultural. Kleiman foca em seu trabalho a leitura como processo psicológico em que o leitor utiliza diversas estratégias baseadas no seu conhecimento linguístico, sociocultural, enciclopédico. O livro propõe atividades desenvolvidas em oficinas de leitura para estimular o interesse dos alunos criando leitores conscientes e apaixonados pela leitura.
Com a leitura desses dois primeiros capítulos podemos perceber facilmente a crítica trazida pela autora aos modos como a leitura é trabalhada no contexto escolar. A autora esclarece como os métodos atuais de apresentar a leitura em sala de aula forma leitores passivos, que se conformam em não compreender o sentido de um texto. O livro destaca os principais erros cometidos pelos professores e livros didáticos que desestimulam o interesse pela leitura, tais como: leitura silenciosa, utilizar fragmentos de textos sem considerar seu contexto, a utilização do texto apenas como conjunto de elementos gramaticais, o texto como mero repositório de mensagens e informações, a leitura como decodificação, a leitura como avaliação, a redução da atividade da leitura para preenchimentos de fichas resumos e relatórios. Esses são argumentos válidos feitos pela autora e acreditamos serem fatores que precisam ser repensados para mudar a forma como os alunos encaram a leitura. Esses métodos mecânicos de apresentar a leitura tornam essa atividade algo maçante e mera obrigação ao invés de algo estimulante e prazeroso.
Concordamos com a crítica feita pela autora e assim como ela, acreditamos que as mudanças devem começar com o professor. O professor precisa ser antes de tudo, apaixonado pela leitura para poder despertar essa mesma paixão em seus alunos. O professor serve de mediador entre o aluno e o autor. Há que se buscar alternativas às propostas obsoletas da apresentação da leitura em sala de aula para formarmos leitores conscientes e que encarem a leitura não como obrigação, mas como fonte de conhecimento e prazer.
Geilza Franco, Greice Correia, Lúcia Bezerra, Priscila Oliveira, Raquel da Cruz, Rita Silva.
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