quinta-feira, 10 de maio de 2012

Resenha: O texto e a construção dos sentidos

Resenha : Koch. Ingedore: O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 2005 os. 75 a 158
O livro aborda, no geral, o processo de construção do texto, tanto no perímetro da fala quanto no da escrita. Vamos nos ater à segunda parte do livro, que dá ênfase à construção do texto no âmbito da fala, mostrando que não há uma relação dicotômica entre língua e fala e que, tanto a fala quanto a língua, possuem caraterísticas próprias de suas modalidades. No uso da língua, essas características diferentes são resultantes das praticas sociais. Além disso, o livro mostra que avaliar a fala pelos parâmetros das gramática normativa, como é feito, gera preconceitos não justificáveis, pois a criação e execução emergem de circunstâncias e necessidades diferentes.
Assim como o texto escrito tem uma regularidade, a autora destaca uma regularidade também na fala, para comprovar a existência de um sistema de desempenho linguístico. Devido à complexidade da fala, a mesma exige diferentes competências linguísticas, devido a sua construção emergir na interlocução e, como principal estratégia de construção do texto falado, está a inserção e reformulação ou retórica ou saneadora.
A reformulação retórica tem como função o reforço da argumentação através do parafraseamento e da repetição, caso seja necessário para facilitar a compreensão e também tem como característica a desaceleração do ritmo da fala para facilitar o entendimento, já a reformulação saneadora tem como objeto sanar, como o próprio nome diz, alguma má interpretação ou ausência de compreensão do receptor, pode apresentar-se na forma de retificação, por exemplo, entre outras opções similares.
A rematização e tematização têm um papel importante no âmbito do texto segmentado no âmbito da fala, pois influenciam diretamente a coerência do texto, através da rematização e tematização nos trechos segmentados do texto falado é possível destacar um elemento, de acordo com a posição do mesmo, possibilitando assim constituir características próprias no discurso. Quanto à repetição classificada na escrita como redundante, para a autora, é um das características fundamentais para a afirmação e entendimento do enunciado falado pelos interlocutores.
Por último, a autora ressalta os papeis da digressão e da coerência na construção do diálogo. A digressão tem como uma de suas características a ruptura momentânea da produção textual e a retomada do tópico interrompido. Diferentemente do que se acredita, isso não torna o texto incoerente, mas sim acaba por desempenhar importante papel na construção da coerência durante a produção do texto falado.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Atividades Práticas Supervisionadas
Tema: Uma ponte entre as teorias da Linguística Textual e a sala de aula.
Resenha do Livro: KLEIMAN, A. Oficina de leitura – teoria e prática. 12ed. Campinas, SP, Pontes, 2008. Páginas 9-30.
   O livro abre uma discussão com relação à forma como a leitura é apresentada em sala de aula. A autora faz uma crítica aos métodos utilizados pelos professores e livros didáticos ao usar textos para o ensino de gramática sem refletir sobre a intenção do autor e a escolha das palavras naquela situação, sem levar em conta os diversos estágios de desenvolvimento dos alunos e seu conhecimento sociocultural. Kleiman foca em seu trabalho a leitura como processo psicológico em que o leitor utiliza diversas estratégias baseadas no seu conhecimento linguístico, sociocultural, enciclopédico. O livro propõe atividades desenvolvidas em oficinas de leitura para estimular o interesse dos alunos criando leitores conscientes e apaixonados pela leitura.
Com a leitura desses dois primeiros capítulos podemos perceber facilmente a crítica trazida pela autora aos modos como a leitura é trabalhada no contexto escolar. A autora esclarece como os métodos atuais de apresentar a leitura em sala de aula forma leitores passivos, que se conformam em não compreender o sentido de um texto. O livro destaca os principais erros cometidos pelos professores e livros didáticos que desestimulam o interesse pela leitura, tais como: leitura silenciosa, utilizar fragmentos de textos sem considerar seu contexto, a utilização do texto apenas como conjunto de elementos gramaticais, o texto como mero repositório de mensagens e informações, a leitura como decodificação, a leitura como avaliação, a redução da atividade da leitura para preenchimentos de fichas resumos e relatórios. Esses são argumentos válidos feitos pela autora e acreditamos serem fatores que precisam ser repensados para mudar a forma como os alunos encaram a leitura. Esses métodos mecânicos de apresentar a leitura tornam essa atividade algo maçante e mera obrigação ao invés de algo estimulante e prazeroso.
Concordamos com a crítica feita pela autora e assim como ela, acreditamos que as mudanças devem começar com o professor. O professor precisa ser antes de tudo, apaixonado pela leitura para poder despertar essa mesma paixão em seus alunos. O professor serve de mediador entre o aluno e o autor. Há que se buscar alternativas às propostas obsoletas da apresentação da leitura em sala de aula para formarmos leitores conscientes e que encarem a leitura não como obrigação, mas como fonte de conhecimento e prazer.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       
Geilza Franco, Greice Correia, Lúcia Bezerra, Priscila Oliveira, Raquel da Cruz, Rita Silva.